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Tocaia

Sérgio Ricardo
Lingua: Portoghese


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[1973]
Parole e musica di Sérgio Ricardo
Nell’album - dalla copertina inequivocabile - che porta come titolo il nome dell’artista.

Sérgio Ricardo

Tocaia, ovvero imboscata, agguato. Una canzone che, nel pieno di una feroce dittatura militare, facendo ricorso alla poesia e alla metafora ma senza nascondere nulla, nemmeno il nome, celebrava colui che fino a due anni prima era stato il nemico pubblico n. 1 del regime, il capitano dell’esercito, il disertore, il guerrigliero comunista Carlos Lamarca (1937-1971).



Fino al 1969 Lamarca non aveva dato alcun segno di insofferenza alla vita militare o di non condividere l’azione dell’esercito golpista. Poi, improvvisamente, disertò portando con sè un camion carico di armi e munizioni e si unì al gruppo armato Vanguarda Popular Revolucionária (VPR). Con la sua nuova divisa Lamarca firmò parecchie azioni eclatanti, come il sequestro dell’ambasciatore svizzero Giovanni Butcher, che fu poi scambiato con decine di prigionieri politici.




All’inizio del 1971 Lamarca passò ad un’altra organizzazione, il Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR8), e lì s’innamorò di una combattente, Iara Iavelberg. Vissero insieme in una “casa di sicurezza” per qualche settimana ma poi, sentendosi braccati, si divisero. Ma alcune delle lettere che Carlos Lamarca le scriveva furono rinvenute addosso ad una staffetta del gruppo arrestata. Furono le sue stesse parole a tradire Lamarca. Per catturarlo l’esercito mise in piedi un’operazione in grande stile, impegnando più di 200 uomini. Prima fu individuata Iara Iavelberg, che venne uccisa il 20 agosto a Salvador di Bahia (anche se per 30 anni venne fatto credere che si fosse suicidata). Poi, il 28 seguente, i cacciatori circondarono l’area dove si nascondeva il guerrigliero (Buriti Cristalino, nel sertão di Bahia). Carlos Lamarca ed il compagno Zequinha Barreto, che era nascosto con lui, riuscirono a fuggire nel sertão dove resistettero disperatamente per una ventina di giorni... Il 17 settembre furono raggiunti e uccisi in località Pintada, nel distretto di Ibipetum.




“[...] No campo especifico da música popular é do conhecimento de todos as perseguições enfrentadas por compositores como Chico Buarque, Geraldo Vandré, Taiguara e muitos outros que lutavam contra o arbítrio que imperava no Departamento Nacional de Censura, órgão oficial do governo com autonomia para monitorar a produção intelectual do país. Apesar de todas as dificuldades era necessário não se deixar esmorecer, fraquejar naquele momento seria desastroso e um ato de covardia diante da pátria e do que ela significava para cada um de nós.

No meio desse tiroteio alguns nomes se destacavam, e alem dos já citados um se fez vibrante, inconformado, realista e determinado, era o paulista Sergio Ricardo. Construindo sua carreira de cantor, compositor e cineasta desde os anos cinqüenta, foi um dos mais duros e competentes combatentes da ditadura durante a década de sessenta. Nunca se deixou levar por ilusões, sabia e percebia perfeitamente o que se preparava para o país a partir de março de 1964. Desde cedo pode verificar a virulência dos conspiradores e sua intenção de instaurar no Brasil um regime de força, onde liberdade era uma palavra inexistente sendo substituída no vocabulário dos donos do poder por arbítrio.

Perseguido implacavelmente Sergio Ricardo foi seguindo seu caminho, e suas canções demonstravam a sua capacidade de resistência alem de criarem uma parte significativa da trilha sonora dos anos de chumbo. Um exemplo dessa síntese de lutas musicais e poéticas esta bem delineado no seu melhor trabalho realizado em 1973, um LP que traz em seu repertório as mais engajadas canções de sua autoria e que são um marco representativo do pensamento radical de um artista que denunciava um dos períodos mais desastrosos da vida brasileira.

O disco que leva seu nome tem na capa dupla o seu retrato quando enfrentava as vaias do público no III Festival da Canção Popular da TV Record de 1967 quando interpretava a canção Beto bom de Bola, resultando em sua revolta jogando o violão na platéia, vem com uma tarja branca na sua boca, que sai carregada pelo símbolo da censura criado pelo cartunista Caulos, e depois se senta num banquinho com ela na posição de um atento ouvinte das musicas cujas letras são abertas em leque.

A maioria das canções do disco são dos anos sessenta, e algumas estavam vetadas pela censura, mas eram exaustivamente cantadas por Sergio Ricardo em seus shows. Dentre eles destacam-se Calabouço feita em 1968 no calor dos acontecimentos que resultaram na morte do estudante Edson Luiz no restaurante universitário do mesmo nome; Sina de Lampião, é um retrato das ilusões perdidas de um povo sofrido, humilhado e sem perspectivas; Antonio das Mortes, em parceria com Glauber Rocha fez parte da trilha sonora do filme Deus e o Diabo na terra do sol; Canto americano, reflete a esperança de uma América Latina livre, numa época em que o continente estava mergulhado em sangrentas ditaduras; Vou renovar, é uma embolada bem humorada cuja letra sempre era modificada por Sergio Ricardo a depender da ocasião, no disco ela nos remete a uma idealização de uma sociedade sem distinção de classes e sofreu vetos da censura tendo que substituir a palavra comunista por colunista

Em Semente, e Beira do cais, temos duas canções com um discurso lírico, sensual e resistente; Juliana do amor perdido, a única peça instrumental do LP traz influencias armoriais nordestinas, barrocas, bem brasileiras. O disco se encerra com Tocaia onde o discurso panfletário metafórico se insinua de maneira contundente.

Ao ouvirmos este trabalho de Sergio Ricardo verificamos que a história do Brasil pode também ser entendida e contextualizada através de belas canções, e que a briga por um país cada vez mais livre e democrático e com menos desigualdades sociais representam aspirações permanentes, não importa o tempo de luta, pois são atemporais, eternas.”

Luiz Américo Lisboa Junior
Baixava a noite na mata
E havia um pressentimento
te cuida te esconde
apaga o teu rastro do chão

Havia mais que o silêncio
Na noite passada em claro
Batia no peito
o medo do amor se perder

De mais a mais tanta coisa
Ficando torta morta solta
Por onde ir amanhã
Rochedo contra as águas
Na brisa a pólvora no ar
Recado contra as mágoas

Do sonho tido em fração de tempo
Nunca sabido nem desvendado
Correndo em seta pelas picadas
Tropeçando cai nos braços dela
Nos beijos dela
No colo dela
No pranto dela

Não era noite nem dia
Era um tempo sem cor nem hora
Tocaia tocaia tocaia
E Lamarca a traição

Cravado por mil centelhas
Era o medo matando um homem
Não mata não mata é amado
E ninguém quis ouvir a voz
Nasce o sol
Na mata um boi desembesta
E corre sem parar
Ê boi
Fasta revivência

inviata da Bernart Bartleby - 27/7/2014 - 22:01



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