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Alípio de Freitas

José "Zeca" Afonso


Lingua: Portoghese


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[1976]
Testo e musica di José "Zeca" Afonso
Palavras e música de José "Zeca" Afonso
Album: Com as minhas tamanquinhas



"Continuo col filone 'antiimpero'; questa qui è una canzone del 1976, anche se non sembra proprio, merito della grande lucidità politica di Zeca (e colpa di chi sappiamo); c'è già dentro tutto, per dirne uno, Manu Chao, anche musicalmente. Viva Zeca Afonso! Viva!" [Alex Agus dal ng it.fan.musica.de-andre - Commento originale alla primitiva raccolta delle CCG del 2003].

Alípio de Freitas, o padre guerrilheiro / Alípio de Freitas, il prete guerrigliero


Alípio de Freitas ou Padre Alípio de Freitas nasceu em Fevereiro de 1929 e cresceu em Vinhais (Bragança, Trás-os-Montes). Foi padre em Portugal e revolucionário no Brasil. Pai da cantora brasileira Luanda Cozetti, actualmente (2011) é jornalista e promotor e dirigente de diversos movimentos sociais e associações cívicas. Ordenado padre em 1952, logo a seguir foi viver para junto dos pobres na Serra de Montesinho, e cinco anos depois aceitou um convite do arcebispo de Maranhão para viver no Brasil, onde deu aulas na universidade. Num subúrbio miserável de São Luís do Maranhão, fundou uma paróquia, uma escola, um posto médico. De início não celebrava missa, nem tão-pouco ia à missa, e depois quando o fez (em atenção ao arcebispo), era em Português, no que antecipava o Concílio Vaticano II. Em 1962 foi a Moscovo, ao Congresso Mundial da Paz, onde privou com Pablo Neruda, a Pasionaria e Kruchtchev, donde regressou ao Brasil e finalmente rompeu com a hierarquia da Igreja. Apoiou a candidatura de Miguel Arraes ao governo de Pernambuco, o que lhe valeu ser raptado pelo exército e detido durante 40 dias. À saída naturalizou-se brasileiro, foi para o Rio de Janeiro, viveu nas favelas, e ajudou a fundar as Ligas Camponesas, um movimento radical que entre outras iniciativas organizava ocupações de terras. Na sequência do golpe militar de 1964, pediu asilo político no México, depois recebeu treino político-militar em Cuba, regressando clandestinamente ao Brasil em 1966. A partir daí percorreu o país de ponta a ponta, promovendo o movimento camponês. Foi um dos integrantes e mentores da Ação Popular (AP), e segundo Jacob Gorender, Alípio de Freitas foi o mentor intelectual do Atendado Terrorista de Guararapes. Em Maio de 1970, era então dirigente do Partido Revolucionário dos Trabalhadores, foi preso, e logo depois escreveu o livro Resistir é preciso. Foi sujeito à tortura do sono durante 30 dias. Saiu da prisão em 1979, como apátrida. Em 1981 foi viver para Moçambique, num projecto com camponeses que foi visitado e elogiado por Samora Machel. O álbum de José Afonso Com as Minhas Tamanquinhas inclui uma canção-homenagem com o nome Alípio de Freitas. Carlos Amorim é autor do livro O assalto ao poder e a sombra da guerra civil no Brasil que aborda a resistência à ditadura militar e inclui a participação de Alípio de Freitas. Um dos comentários a esta notícia cita-o: "Trabalhadores, ontem vos ensinei a rezar e hoje aqui estou para ensiná-los a pegar em armas e lutar". Sem dúvida que era um homem corajoso e valente expressando-se desassombradamente, numa época em que todos tinham medo. Ainda nos anos 80 regressou a Portugal, entrando para a RTP até 1994, realizando com Mário Zambujal, Carlos Pinto Coelho e José Nuno Martins o programa Fim de Semana. Embora tenha continuado a passar por Moçambique e Brasil, vive em Portugal onde dá aulas livres de Economia Política, é jornalista, estando ligado ao Tribunal Mundial sobre o Iraque, assim como a diversos movimentos sociais e associações cívicas, nomeadamente o Fórum Social Mundial. - pt:wikipedia

Alípio de Freitas, o padre Alípio de Freitas, è nato nel 1929 ed è cresciuto a Vinhais (Bragança, Trás-os-Montes). È stato sacerdote in Portogallo e rivoluzionario in Brasile; è il padre della cantante brasiliana Luanda Cozetti. Attualmente è giornalista e dirigente di parecchi movimenti sociali e associazioni civiche. Ordinato sacerdote nel 1952, immediatamente dopo andò a vivere assieme ai poveri nella Serra de Montesinho; cinque anni dopo accettò un invito dell'arcivescovo di Maranhão e si stabilì in Brasile, dove insegnò all'università. In un sobborgo poverissimo di São Luís do Maranhão fondò una parrocchia, una scuola e un ambulatorio medico. All'inizio non celebrava messa e neppure ci andava; quando lo fece (per rispetto nei confronti dell'arcivescovo), la disse in portoghese, anticipando così il Concilio Vaticano II. Nel 1962 si recò a Mosca, al Congresso Mondiale della Pace, dove ebbe colloqui con Pablo Neruda, con la “Pasionaria” Dolores Ibárruri e Chruščëv; da lì tornò in Brasile, rompendo infine con la gerarchia ecclesiastica. Appoggiò la candidatura di Miguel Arraes a governatore dello stato di Pernambuco, e questo gli valse il prelevamento da parte dell'esercito e la sua detenzione per 40 giorni. Una volta uscito assunse la cittadinanza brasiliana e si trasferì a Rio de Janeiro, vivendo nelle favelas e contribuendo a fondare le Ligas Camponesas (Leghe Contadine), un movimento radicale che, tra le altre iniziative, organizzava occupazioni di terre. In seguito al colpo di stato militare del 1964 chiese asilo politico in Messico e ricevette poi un addestramento politico e militare a Cuba, per tornare in Brasile nel 1966. A partire da quel momento percorse il paese palmo a palmo per promuovere il movimento contadino. Fu membro e personaggio di punta di Ação Popular (AP), e secondo Jacob Gorender, Alípio de Freitas fu ispiratore dell'attentato terrorista di Guararapes. Nel maggio del 1970, mentre era dirigente del Partido Revolucionário dos Trabalhadores (Partito Rivoluzionario dei Lavoratori), fu imprigionato e scrisse in carcere il libro Resistir é preciso (“Bisogna resistere”). Fu sottoposto alla tortura del sonno per 30 giorni. Uscì di prigione nel 1979, divenendo apolide. Nel 1981 andò a vivere in Mozambico in una cooperativa contadina che fu visitata e lodata da Samora Machel. L'album di José Afonso Com as Minhas Tamanquinhas contiene una canzone in suo omaggio, intitolata Alípio de Freitas. Carlos Amorim ha invece scritto il libro O assalto ao poder e a sombra da guerra civil no Brasil (“L'assalto al potere e l'ombra della guerra civile in Brasile”), incentrato sulla resistenza alla dittatura militare e con la partecipazione di Alípio de Freitas. Ha dichiarato una volta: “Lavoratori, ieri vi ho insegnato a pregare e oggi sono qui per insegnarvi a prendere le armi e lottare”. Era senz'altro un uomo coraggioso che si esprimeva chiaramente in un'epoca in cui tutti avevano paura. Negli anni '80 tornò in Portogallo, lavorando alla RTP (la Radiotelevisione Portoghese) fino al 1994 e realizzando assieme a Mário Zambujal, Carlos Pinto Coelho e José Nuno Martins il programma Fim de Semana. Sebbene sia a volte tornato in Brasile e in Mozambico, vive attualmente in Portogallo dove esercita la libera docenza in economia politica svolgendo anche l'attività di giornalista. Collabora con il Tribunale Mondiale sull'Iraq e con diversi movimenti sociali e associazioni civiche, compreo il Social Forum mondiale. (Trad. CCG/AWS Staff]
Baía de Guanabara
Santa Cruz na fortaleza
Está preso Alípio de Freitas
Homem de grande firmeza

Em Maio de mil setenta
Numa casa clandestina
Com campanheira e a filha
Caiu nas garras da CIA

Diz Alípio à nossa gente:
"Quero que saibam aí
Que no Brasil já morreram
Na tortura mais de mil

Ao lado dos explorados
No combate à opressão
Não me importa que me matem
Outros amigos virão"

Lá no sertão nordestino
Terra de tanta pobreza
Com Francisco Julião
Forma as ligas camponesas

Na prisão de Tiradentes
Depois da greve da fome
Em mais de cinco masmorras
Não há tortura que o dome

Fascistas da mesma igualha
(Ao tempo Carlos Lacerda)
Sabei que o povo não falha
Seja aqui ou outra terra

Em Santa Cruz há um monstro
(Só não vê quem não tem vista
Deu sete voltas à terra
Chamaram-lhe imperialista

Baía da Guanabara
Santa Cruz na fortaleza
Está preso Alípio de Freitas
Homem de grande firmeza.

inviata da Alex



Lingua: Italiano

Versione italiana di Alex Agus
2003 - Raccolta originale delle CCG
ALÍPIO DE FREITAS

Baia di Guanabara,
Santa Cruz, nella fortezza,
è prigioniero Alípio de Freitas
uomo di grande fermezza

Nel maggio del 1970
in un casa clandestina
con la compagna e la figlia
è caduto nelle grinfie della CIA

Dice Alípio alla nostra gente:
"voglio che voi sappiate
che in Brasile sono già morte
più di mille persone per le torture

a fianco degli sfruttati
nella lotta contro l'oppressione
non mi importa se mi uccidono
altri amici verranno!"

Là, nell'entroterra del nord-est,
terra di grande povertà,
con Francisco Julião
organizza leghe contadine

Nella prigione di Tiradentes,
dopo lo sciopero della fame,
in più di cinque celle sotterranee
resiste a ogni tortura

Fascisti della stessa specie
(in questo caso Carlos Lacerda)
sappiate che il Popolo vincerà
sia qui che in un'altra terra

A Santa Cruz c'è un mostro
(chi non lo vede è cieco)
ha avvolto con sette giri la terra
lo hanno chiamato Imperialismo

Baia di Guanabara,
Santa Cruz, nella fortezza
è prigioniero Alípio de Freitas
uomo di grande fermezza.


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